A Gazeta – Cuiabá
21/05/2009
Oleaginosa é riqueza do Cone Sul
Viabilidade econômica e potencial de geração de desenvolvimento do grão estão entre os temas debatidos em evento realizado em Goiás.
Fabiana Reis
Enviada Especial a Goiânia
A soja como fator de desenvolvimento no Cone Sul. Este é o tema do 5° Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2009, que vai até amanhã no Centro de Convenções de Goiânia, na Capital Goiana. Realizada a cada três anos, o evento aborda temas ligados à cadeia produtiva da oleaginosa, não só o universo do produtor, mas também o processo de industrialização, oferta de crédito para financiamento da safra, o grão como matriz energética, biotecnologia, tolerância a mudanças climáticas, entre outros.
O presidente da Comissão organizadora do evento, José Renato Farias, afirma que a intenção é colocar em pauta toda a problemática envolvendo o processo produtivo da soja, bem como apontar soluções. “No congresso conseguimos vários avanços e como coincide com o Mercosoja, podemos reunir representantes de países da América do Sul, como Paraguai e Argentina”, diz ao acrescentar que os palestrantes também vêm de outras nações, como Estados Unidos, Japão e Alemanha.
No ano passado, o público que compareceu ao evento totalizou 1, 230 mil pessoas. Para este ano a perspectiva era que este número fosse 5,6% maior, chegando a 1,3 mil participantes. No entanto, no segundo dia de evento (ontem) haviam sido feitas 1,914 mil inscrições, superando em 47,2% a previsão inicial dos organizadores. Além de discutir assuntos pertinentes à sojicultura, produtores podem conhecer as novidades tecnológicas para a produção, a exemplo de máquina, defensivos e sementes, e formações institucionais de várias empresas do segmento.
Novidades – A Bayer CropScience, por exemplo, é uma das empresas expositoras durante o congresso de soja. Entre os novos produtos apresentados aos produtores está o inseticida Belt; para controlar de forma eficiente o ataque de lagartas na lavoura de soja. Hoje, um executivo da empresa fará palestra sobre o monitoramento da ferrugem asiática. Mais informações sobre defensivos agrícolas podem ser obtidas no estande da Syngenta, onde estão sendo apresentadas as principais soluções tecnológicas para a produção, principalmente no que se refere a fungicidas e inseticidas.
Tecnologia – Já para ter um melhor planejamento da lavoura e aproveitamento do potencial de cada área na fazenda, a BrasEq apresenta equipamentos de ponta para controle de qualidade que inclui preparo do solo, nível de umidade e de luminosidade, itens que influenciam no metabolismo na planta e consequentemente na produtividade. A coordenadora de Produtos da empresa, Tânia Shibata, diz que os equipamentos são utilizados também em pesquisas. “Um dos nossos clientes é a Universidade Federal de Mato Grosso”.
Sede – Este ano foi a primeira vez que o congresso saiu do Paraná. O próximo congresso, programado para 2012, tem Mato Grosso (maior produtor de grãos do Brasil) como forte candidato para sediar o evento, “Este ano veio para Goiânia porque apresentou mais estrutura à época em que foi planejado”, diz ao explicar que assim que termina um congresso o seguinte começa a ser planejado.
Avanços – Foi criado oficialmente na noite desta quarta-feira o Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), entidade que tem o objetivo de promover estratégias que elevem os níveis de produtividade, competitividade e que contribuam para a sustentabilidade da cultura. A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) tem um representante no comitê, que é formado por 14 profissionais que atuam nas diversas áreas da cadeia produtiva.
Mato Grosso destaca sustentabilidade
Enviada especial a Goiânia
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja) é um dos participantes do 5° Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2009. O presidente da entidade Glauber Silveira, foi um dos palestrantes da tarde desta quarta-feira, e comentou ações de sustentabilidade implantadas na produção estadual, bem como os efeitos destas medidas. Ele diz que a aproximação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), especialmente a que tem soja vem se intensificando nos últimos meses e deve resultar sim, na escolha de Mato Grosso para sede do congresso de 2012.
“Temos interesse de firmar um convênio com a Embrapa Soja para o desenvolvimento da soja de forma sustentável. Vários projetos já vem sendo realizados em Mato Grosso, a exemplo da Soja Mais Verde”, diz ao acrescentar que os dois principais desafios dos produtores estaduais são sustentabilidade na produção e seus respectivos impactos.
O presidente da Aprosoja destaca que entre os pontos favoráveis ao Estado com relação à produção da oleaginosa, e que vem mudando a imagem de “destruidores da natureza”, é a informação de toda a área que pode ser cultivada no Estado, o equivalente a 90,3 milhões de hectares, a soja abocanha somente 6%, totalizando cerca de 5,5 milhões (há), que nesta safra estima colher em torno de 17 milhões de toneladas. “E temos a perspectiva de que a demanda mundial por alimentos será aumentada em 50% nos próximos 20 anos. Neste cenário, o Brasil, ou seja, Mato Grosso, terá grande oportunidade para produzir”.
Crédito – Além da palestra da Aprosoja, o Banco do Brasil também participou do congresso. O vice-presidente de Agronegócios do agente financeiro, Luis Carlos Guedes, criticou o modelo econômico usado atualmente junto ao produtor para novos empréstimos.
“O BB é responsável por 60% do financiamento da safra brasileira e precisamos de um modelo mais avançado”, diz ao acrescentar que entre as sugestões seria a criação de seguro rural ao produtor em caso de castástrofes climáticas -, que diminuiria o impacto no orçamento do próprio governo ao ter que refinanciar o pagamento de débitos antigos.
Dados do BB mostram que a concessão de crédito a clientes cujo risco é classificado entre AA e C baixou de 97% do total da carteira em dezembro de 2003, para 85,4% em março deste ano. A diferença neste percentual é que ocupada por produtores enquadrados em um risco que varia de D a H, considerado grave para a liberação de novos financiamentos. (FR)